A Dama de Ferro | Crítica
Por Renato Rocha - 18 de Fevereiro de 2012
A figura controversa da primeira-ministra Margaret Thatcher por si só já desperta o interesse em assistir um filme que retrate a sua vida, se vier com Meryl Streep no papel principal, melhor ainda.
A Dama de Ferro (The Iron Lady) começa com uma Margaret Thatcher (Streep) castigada pela idade. Vivendo em reclusão e em relativo anonimato somos surpreendidos por uma figura sofrendo dos efeitos da senilidade. É então por meio de flashes de memória que passamos a acompanhar uma parte da história da filha de um pequeno comerciante que se torna a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Reino Unido.
É inegável que é o trabalho de atuação de Meryl Streep em A Dama de Ferro o grande chamariz do filme. A dama do cinema interpretando a dama de ferro da política. A atuação lhe rendeu a 17ª indicação ao Oscar. A atriz emula a voz, o sotaque, capricha no laquê do penteado, coloca prótese dentária e caminha se arrastando com fragilidade comovente na versão mais velha de Margert Thatcher. A caracterização física é perfeita.
Falta então uma história que dê substância a essa caracterização e nisso, A Dama de Ferro falha. O roteiro de Abi Morgan investe demais nas alucinações de Thatcher com o falecido marido, Denis (Jim Broadbent). A dinâmica entre os atores é até divertida, mas perde-se muito tempo investindo na figura idosa da líder sem muitos objetivos. Ela está arrependida de como conduziu o país? Arrependida de como conduziu sua vida pessoal? Não está arrependida de nada e só quer se livrar das alucinações? Nada fica claro.
Por sua vez a diretora Phyllida Lloyd adota um discurso excessivamente pró-Thatcher que incomoda. Ao praticamente ignorar o lado pessoal do ser humano e focar sempre em suas decisões de gabinete, ficamos com a sensação de que ela está panfletando em prol do partido conservador. Thatcher sempre surge com sua roupa azul a destacando de seus opositores. Ela é o colorido que falta à oposição, onde os membros invariavelmente usam ternos escuros. Mas nada é tão descarado quanto a cena em que, durante uma sessão, a luz acaba e Thatcher puxa uma lanterna. O único foco de luz para o qual todos olham. Para Phyllida Lloyd, a dama de ferro não é só o caminho a ser seguido, é ainda a bondade em pessoa que derrama sua luz do conservadorismo para iluminar as trevas da ignorância de quem está contra ela.
Ao fim de A Dama de Ferro sobram aplausos para a dama Meryl Streep. Sua atuação e entrega é que pagam o filme. Já a diretora Phyllida Lloyd pareceu mais interessada em fazer um tratado sobre a velhice do que em desconstruir sua personagem principal. Que não usasse o nome de Margaret Thatcher pra vender o filme então, seria mais honesto.
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