A Perseguição | Crítica
Filme cai em alguns clichês, mas mantém o clima de urgência até fim.
Por Renato Rocha - 24 de Abril de 2012
Liam Neeson já foi jedi, mestre do Batman, Zeus e até uma espécie de papai Bourne. Consolidado cada vez mais no cinema de ação dessa vez Liam Neeson é Ottway, um matador de lobos em A Perseguição (The Grey). Contratado por uma empresa para fazer a segurança dos trabalhadores no norte ermo do Alasca, Ottway passa os dias com seu rifle acertando os lobos que eventualmente surgem oferecendo perigo. Com a chegada do inverno os trabalhadores são liberados a voltar para a civilização, mas o avião que os transporta sofre um acidente e cai em um local totalmente inóspito. Os poucos sobreviventes são obrigados a vencer o clima agressivo e uma matilha de lobos que os caça incansavelmente. Sem qualquer tipo de comunicação e muito afastados da civilização a esperança de sobrevivência deles reside justamente em Ottway, que automaticamente se torna o líder natural.
Então A Perseguição se torna um filme de sobrevivência, o típico homem versus natureza e o diretor Joe Carnahan transforma todo o cenário em um novo personagem. O inferno de gelo onde os ventos são tão fortes que os personagens mal podem se ouvir se torna tão perigoso quanto os lobos. Da mesma forma o clima de urgência atinge o espectador de imediato.
Como exemplar de filme de gênero, porém, A Perseguição não consegue fugir de alguns clichês do tipo, dentre eles o principal é o do conflito interno que sempre afeta o grupo. Logo, se há uma liderança natural, é também natural que haja uma oposição a essa liderança. Como se fosse uma forma de esfregar na cara que a sobrevivência depende da união. Algo que fica claro se comparado com a forma de agir dos lobos, caçando sempre em conjunto.
As principais questões de A Perseguição acerca da sobrevivência surgem como diferencial do filme, seja para o bem ou para o mal. O filme acerta o tom quando confronta a força de vontade dos seus personagens e as suas motivações pela sobrevivência. Mesmo que a vida seja algo pelo qual vale a pena sempre lutar, o roteiro mostra que para alguns a luta é sem sentido, afinal viver uma vida vazia pode ser tão assustador quanto enfrentar lobos.
No entanto, na tentativa de aprofundar a questão existencial dos personagens, o roteiro investe em uma discussão sobre fé que destoa um pouco e um desabafo aos céus, mesmo que honesto, soa meio fora do contexto. Da mesma forma o fato de Ottway ser perseguido por lobos deixa de ser uma necessidade do roteiro (afinal a chance de sobrevivência do grupo só existe por ter ali um caçador de lobos) e sugere um castigo divino, o caçador que passa a ser a caça.
Com uma tensão que se mantém do início ao fim, A Perseguição é um filme que se destaca em seu gênero não por fazer questionamentos religiosos sobre destino ou fé. A expressão “o homem é o lobo do homem” aqui não surge como rivalidade entre matilhas ou comportamento autodestrutivo entre iguais, mas sim como fundamento ou justificativa para se definir o verdadeiro adversário. A fé que importa, no fim das contas, deve ser sempre em si mesmo.
cinelogin pode me enviar este video ?
assistiu a cena pós-creditos?
nada… o cinema aqui não passou. Tive que ver no youtube depois :(
que conclusão tirou?