A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 | Crítica
Ser alçado à condição de saga definitivamente não fez bem à série. Sugere uma grandiosidade que não existe no filme e nem na história original.
Por Renato Rocha - 21 de Novembro de 2011
Há de se analisar um fenômeno como Crepúsculo. Uma série de filmes de qualidade discutível que consegue fazer tanto sucesso com o público jovem usando um discurso tão dissonante do nosso tempo merece ser vista nem que seja por curiosidade.
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, a quarta parte da série Crepúsculo, começa com o esperado casamento de Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson). Enquanto a festa acontece, o terceiro elemento do triângulo amoroso, o lobisomen Jacob Black (Taylor Lautner), fica transtornado ao saber que os dias de humana de sua amada estão chegando ao fim com a proximidade da lua de mel.
Ser alçado à condição de saga definitivamente não fez bem à série. Sugere uma grandiosidade que não existe no filme e nem na história original. É claro que cada vida é uma saga em si, mas a pretensão do título parece almejar um algo mais que o filme fica devendo. Pelo menos Bella deveria ser protagonista de sua própria saga, mas nem isso acontece aqui.
É inegável que exista um clamor dos fãs com o material original, mas em A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, o diretor Bill Condon não se arrisca e não faz nada de diferente dos seus antecessores. Apenas coloca a câmera de frente para os atores e espera que a obra de Stephenie Meyer fale por si própria e seja suficiente para captar o espectador. Não é. O resultado é preguiçoso e se tem a sensação de estar assistindo uma novela que se passa na atualidade, mas que tem em sua essência os dogmas e tabus de uma novela de época. O que permeia a tela é a hipocrisia clássica da sociedade machista, a mulher deve se casar virgem por imposição do homem e homem pode ter tido outras relações antes do matrimônio (o que aqui surge representado pelas pessoas que Edward “mordeu” antes de casar) desde que ele jure amor eterno a ela no altar.
Se nem a direção e nem o elenco se esforçam, pelo menos os efeitos de magreza de Bella estão convincentes, ao contrário dos lobos, que como nos filmes anteriores, parecem sempre artificias. De toda forma, algumas decisões de Bill Condon em A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1 soam quase tão amadoras quanto o desempenho do elenco. O que é mais óbvio do que mostrar Edward e Bella em uma partida de xadrez para ilustrar os interesses opostos dos personagens naquele momento do filme? E tem canastrice maior do que o roteiro que joga o conceito de imprinting na tela numa cena perdida apenas para justificar um prêmio de consolação para Jacob?
Ao fim do filme fica a sensação de que a história foi esticada para se fazer mais dinheiro com a continuação. Não tem como não se sentir enganado com tanta enrolação. Mas o pior é o discurso e a forma de se panfletar. Levantar bandeira em prol do casamento não é problema nenhum, é um ponto de vista válido, o problema é afirmar que, para a mulher, o amadurecimento só vem pelo casamento, e que ser adulto significa se anular e abrir mão de sua individualidade para satisfazer os desejos do seu homem.
OBS: durante os créditos finais tem uma importante cena que liga a Parte 1 à futura Parte 2.
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Cara vc é ótimo de crítica!!!!! Vc simplesmente leu meu pensamento, não consegui discordar de nenhuma vírgula do que vc disse. parabéns
Muito obrigado pelo elogio e volte mais vezes :D
Eclipse também enrola muito. Mostra o que já vimos nos dois filmes anteriores, e mais uma vez os vilões são irrelevantes. Como dividiram o último livro em dois, eu vou ver Amanhecer: Parte 1 esperando enrolação.
Critica muito boa em!
vc pod me mandar o link que preste pra baixar o filme??
ficaria grato!!!
fala Sidney! Obrigado pelo elogio, mas esse link eu não tenho. Vou ficar te devendo essa.
Boa, Renato! Gostei da crítica! Bem técnica e bem polida, sem esculhambação gratuita.
Esse texto me lembrou de uma crítica do amigo Paulo Fanboy no finado site A Arca. A crítica era sobre o filme “Debi & Lóide 2 – Quando Debi Conheceu Lóide”. Era um texto de dois parágrafos onde ele se limitou a dizer que o filme era tão ruim que preferiu encerrar o texto ali e não se estender mais falando do filme.
Muito boa sua crítica também, valeu pelo comentário lá na minha, você foi menos passional no texto o que é muito bom e bem mais profissional, mas quando um filme me irrita a esse ponto eu não consigo ser totalmente profissional, mas é legal que eu vou ver se consigo quebrar o record de insultos recebidos em minha crítica de Eclipse hehe…
Abraço, e parabéns pelo Blog.
Valeu a visita!!
Então a note a meta ae, quebrar os recordes com Amanhecer 1 e depois quebrar o novo recorde com Amanhecer 2… esse promete…heheheh
Abraço!