A Toda Prova | Crítica
No complexo ramo da comunicação, um dos mandamentos para qualquer profissional da área é que não basta o dom artístico [...]
Por Victor Barreto - 16 de Abril de 2012
No complexo ramo da comunicação, um dos mandamentos para qualquer profissional da área é que não basta o dom artístico (desenhar, fotografar, etc…), é fundamental que qualquer criação seja desenvolvida seguindo um conceito pré-estabelecido e com objetivos claros, visando sempre o lucro. Esta é, talvez, a característica mais nítida ao diferenciar “arte” de “negócios”. Basicamente, é possível lidar com arte como um negócio, mas não o contrário. E no cinema, não são poucas as vezes em que publicitários migram para a cadeira de diretor (Fernando Meirelles é um bom exemplo), colocando em cheque essa “lei”. E por este sinuoso caminho, segue A Toda Prova (Haywire), novo filme de Steven Soderbergh.
A história é simples, mas o roteiro a torna complexa. Mallory Kane (Gina Carano), uma agente secreta, busca vingança após ser traída durante uma missão. Embora ela seja o único papel feminino com destaque, seu bom condicionamento elimina qualquer desvantagem frente a um homem, o que a torna uma versão mais realista de Lara Croft ou mesmo da noiva de Tarantino.
Por praticamente metade da projeção de A Toda Prova, a sensação era de assistir uma imensa propaganda da Calvin Klein Jeans, com modelos super-humanos desfilando seus corpos esculturais, em locais especiais, vestidos a trato fino, esbanjando personalidade em cada ação. Tudo sob a lente alternativa e “cool” do diretor. A ausência de profundidade das personagens fazem o desinteresse do espectador atingirem níveis preocupantes, e a esta altura houve um êxodo da sala.
Felizmente (surpreendentemente, na verdade), A Toda Prova acaba decolando a partir do momento em que Michael Fassbender entra na trama. Não que sua atuação esteja espetacular, mas com ele vêm certos detalhes que dão um tempero a tudo o que vinha sendo mostrado até então. No quesito elenco, aliás, a produção caprichou: além de Fassy, participam Michael Douglas, Channing Tatum, Ewan McGregor, Antonio Banderas e Bill Paxton em papéis pequenos porém muito bem aproveitados pelo roteiro. Gina Carano, por outro lado, limita-se a um fetiche – um grande fetiche – visual do diretor, deixando muito a desejar nas nuances da atuação. Quando flerta com alguém, por exemplo, ela chega ao ponto ridículo de espremer os olhos, com a sutileza de uma lhama.
Passada a impressão de estar assistindo um imenso pastel de vento com fins marketeiros, nota-se que um dos objetivos de Soderbergh em A Toda Prova era fazer um thriller de espionagem requintado, e foi relativamente bem sucedido. Com uma das carreiras mais prolíficas da atualidade, fica evidente a experiência do diretor em filmar. Mas se compararmos o sucesso prematuro de Sexo, Mentiras e Videotape, de 1989, com o mar de exercícios de estilo que ele fez na última década, fica a dúvida se é um daqueles casos de apogeu e queda, queda e queda.
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