Anjos da Lei | Crítica

O filme conta com um elenco carismático e um roteiro ligeiro e atento aos novos tempos.

Por Victor Barreto - 10 de Maio de 2012

Anjos da Lei - poster nacionalUma tendência recente nos filmes e séries produzidos atualmente é o interesse pelas convenções sociais na infância e na adolescência, principalmente no ambiente escolar. A forma como nos comportamos durante esta fase acabou gerando os famosos arquétipos (nerd, cheerleader, jock, prep, goth). Eles estão presentes em qualquer sala de aula a gerações, sendo possível identificá-los sem grandes dificuldades. Pois a moda atual também tem um outro fetiche, que é justamente a quebra das barreiras existentes entre estes arquétipos. Por este caminho segue Anjos da Lei, baseado na série de TV (21 Jump Street).

Não que esta mistura seja novidade, nos anos 80 muitos fizeram isto (Clube dos 5, por exemplo). Mas sempre soava inverossímil, “coisa de cinema”, a ideia de alguém conseguir mudar o destino de sua “espécie” antes do famoso baile de formatura. Em Anjos da Lei usaram a velha fórmula de modo muito especial com um improvável par de protagonistas, Jonah Hill e Channing Tatum.

Em Anjos da Lei eles interpretam Schmidt e Jenko, nerd e jock, respectivamente. Com uma rapidíssima introdução, já sabemos de seu background através dos tempos de High School: o jogo de cintura débil do primeiro e a inteligência antílope do segundo, facetas que arruinam o baile de formatura para ambos, e que resulta num trauma comprometedor. Por um golpe do destino, ambos decidem se tornar policiais, e durante o treinamento, tornam-se parceiros. Já em sua primeira “missão” (eles trabalham com bicicletas em um parque, o que já resulta em várias risadas), o passado novamente volta à tona e torna a complicar as coisas. Eles então são enviados à “21 Jump Street”, um segmento da polícia responsável por crimes envolvendo menores. Como eles têm a aparência juvenil, são incumbidos pelo capitão Dickson (Ice Cube, engraçadíssimo com suas caretas) de trabalhar sob disfarce em um… colégio. A partir daí, a história se torna previsível, mas jamais monótona.

Obtendo a oportunidade de viver o colegial novamente, enquanto tentam capturar um traficante, os dois logo percebem que podem superar seus traumas. Enquanto Schimdt torna-se popular e engata um relacionamento, Jenko é acolhido pelos nerds, e desenvolve um súbito interesse por química. E sob essa premissa, a história nos conduz por uma divertida troca de papéis, que acerta ainda mais ao não se levar a sério. Quando algo improvável acontece, isto é evidenciado, não escondido.

O recém indicado ao Oscar Jonah Hill vem em plena ascensão, e sua ótima performance não chega a ser uma surpresa. Portanto, é Channing Tatum quem acaba se destacando, e seu carisma chega a lembrar da lenda Cary Grant. Anjos da Lei ainda conta com uma hilária ponta de Johnny Depp (que atuou na série) e com o mini James Franco (seu irmão, Dave Franco – e não é necessário pesquisar para descobrir isso).

Enaltecendo as muitas gags também com uma edição perspicaz, que ora acelera, ora fica em slow-motion, Anjos da Lei é uma comédia que elevou muito o nível de qualidade ao apostar em elementos nos quais outros costumavam falhar: no talento do elenco, e no roteiro ligeiro e atento aos novos tempos.

Cotação 4-5

Assista ao trailer de Anjos da Lei

 

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