Battleship – A Batalha dos Mares | Crítica

O diretor Peter Berg não se esforça para sair da sombra de Michael Bay.

Por Renato Rocha - 15 de Maio de 2012

Battleship - A Batalha dos Mares - poster nacionalA empresa fabricante de brinquedos Hasbro resolveu apostar no cinema para popularizar ainda mais alguns de seus produtos. Transformers foi um exemplo que deu relativamente certo no cinema, e o brinquedo da vez é a batalha naval Battleship, aqui chamado de Battleship – A Batalha dos Mares (Battleship).

No filme, o vagabundo Alex Hooper (Taylor Kitsch) vive uma vida sem perspectiva. Aos 25 anos ele não tem um emprego, enche a cara em um bar e seu grande feito é invadir uma loja em busca de um burrito para impressionar uma garota com fome. Pressionado pelo irmão Stone Hooper (Alexander Skarsgard) para dar um jeito na sua vida, ele acaba entrando para a Marinha americana. A bordo de um moderno contratorpedeiro ele se vê em meio a uma invasão alienígena onde a defesa do planeta acontece nos mares.

Aí entra naquilo que o filme se propõe: bombas, explosões e algumas cenas de ação decentes. Mas tudo que envolve os personagens são capas tão superficiais que não aproximam o espectador da história. Tem um drama besta envolvendo Liam Neeson (que é só um coadjuvante de luxo no filme) e um pior ainda envolvendo superação de um deficiente físico. Sem contar o discurso de união EUA e Japão como forma de compensar o que foi feito na Segunda Guerra (Japão explodiu Pearl Harbor e os EUA jogaram as bombas atômicas, um gol para cada lado no futebol?).

Mas o que mais incomoda em Battleship – A Batalha dos Mares é a direção genérica de Peter Berg. Dentro de uma série de clichês típicos do gênero, ele não só não resiste à tentação e sucumbe aos textos expositivos (o núcleo do Pentágono tem alguma outra função que não seja a de explicar tudo para o espectador? “Está dizendo que nós mandamos um sinal e recebemos uma resposta?”, “Ainda temos alguém lá dentro?”), como abraça idéias já vistas em outros filmes (o contato de Hooper com um ET é imediatamente reconhecido para quem já viu Independence Day).

No entanto, nada supera a sombra de Michael Bay que recai sobre Berg. Talvez pela pressão de repetir o sucesso de Transformers, o diretor praticamente copia tudo o que caracteriza o cinema de Bay. Dessa forma, vemos em Battleship – A Batalha dos Mares diversos elementos identificáveis na filmografia de Bay, os takes absurdamente rápidos, os travellings giratórios, a bandeira americana tremulando, personagens surgindo na contra luz do sol (o que aqui surge até como elemento da história), o enaltecimento das forças armadas (aqui até a velha guarda é “homenageada”) e, obviamente, a gostosa com decote e roupas curtas que mostra que também é corajosa além de bonita (aqui interpretada por Brooklyn Decker).

Com tanta preocupação em ser o que não é, é natural que o filme acabe soando como um filme que você já viu por aí. Com tanta vontade de emular Michael Bay, Peter Berg acaba não soando como Peter Berg. Talvez a Hasbro venda mais brinquedos, e já que parece ser essa a intenção, não seria errado dizer que Battleship – A Batalha dos Mares pode ser vendido como um Transformers sem vidro elétrico.

Cotação 2-5

Battleship – A Batalha dos Mares | Ficha completa do filme
Assista ao trailer de Battleship – A Batalha dos Mares

 

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3 respostas a “Battleship – A Batalha dos Mares | Crítica”

  1. FelDias diz:

    “(Japão explodiu Pearl Harbor e os EUA jogaram as bombas atômicas, um gol para cada lado no futebol?)”
    Mesmo se a gente for igualar Pearl Harbor a uma bomba atômica (o que já seria absurdo), essa partida estaria no mínimo 2 x 1 para os EUA…

  2. Thiago diz:

    até pq a Rihanna não faz praticamente nada no filme…
     

  3. Jorge Soto diz:

    nenhum cometario sobre a atuação da Rihanna??? Ou será q aqueles zoiao verde e os gritinhos “Boooom!” dela passaram desapercebidos???

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