Bel Ami – O Sedutor | Crítica
Direção frouxa e personagens caricaturais na nova empreitada de Robert Pattinson fora do universo de Crepúsculo.
Por Renato Rocha - 7 de Agosto de 2012
Um rapaz pobre, sem grandes expectativas na vida, que decide usar seus atributos físicos e sensualizar para fazer uma escalada social, seja pelo dinheiro, pelo prazer do desafio, ou pelo os dois. O argumento não é novo e, já rendeu histórias marcantes, sendo Match Point – Ponto Final, de Woody Allen, uma das mais recentes, salvo todas as devidas proporções.
Bel Ami – O Sedutor (Bel Ami) segue o mesmo caminho. Adaptado da obra de Guy de Maupassant, de 1885, o filme se passa na Paris de 1840 e narra a história de Geoges Duroy (Robert Pattinson), um rapaz pobre, ex-soldado, e que encontra em um bordel um antigo companheiro de front, o jornalista Charles Forestier (Philip Glenister). Em dois minutos de conversa Forestier decide ajudar Duroy a sair dessa situação e lhe consegue um emprego no jornal local.
Então entram em cena os demais personagens que se tornam o alvo de Duroy em sua escalada pelo dinheiro e poder, as mulheres carentes da alta sociedade parisiense em seus jantares pomposos e maridos ausentes. Clotilde de Marelle (Christina Ricci), Virginie Rousset (Kristin Scott Thomas) e seu alvo principal, Madeleine Forestier (Uma Thurman), a esposa de Charles e a mulher que articula os textos políticos do protagonista.
O problema de Bel Ami – O Sedutor já começa pelo seu roteiro, incapaz de rascunhar qualquer resquício de tridimensionalidade em seus personagens, sobretudo em seu protagonista, que parece possuir um vácuo no lugar de suas motivações. Também não colaboram os diretores Declan Donnellan e Nick Ormerod. Além de não conseguirem conceber não só um ritmo minimamente necessário à narrativa, também parecem conduzir tudo de forma tão despretensiosa que fica difícil até mesmo compreender o que está acontecendo em cena (toda a subtrama política é desnecessariamente confusa).
Diante de uma história que não só não funciona, mas que parece também não andar, resta ao filme se apoiar no seu elenco para tentar tirar algo de bom. Mas nem nomes de peso como Uma Thurman e Kristin Scott Thomas conseguem mais do que caricaturas. Sobra um pouco de dignidade em Christina Ricci, que parece fazer sua personagem com uma certa displicência divertida que a faz sobressair sutilmente em relação aos demais.
A curiosidade final de Bel Ami, fica inegavelmente por conta da performance de Robert Pattinson como o sedutor do título. Ele parece se sair bem enquanto está na sua zona de conforto, usando um sorriso torto aqui e ali e uns trejeitos de sujeito torturado, os atributos que foram suficientes para seduzir os fãs de Crepúsculo. Mas, nas sequências que exigem um algo mais, Pattinson acaba evidenciando que ainda lhe falta um pouco de cancha para sua escalada particular em seduzir o público além do universo vampiresco. Aparentemente chances não vão faltar.