Colegas | Crítica

A busca pelos sonhos através do olhar de quem é considerado “diferente”.

Por Livia Amaral - 2 de Março de 2013

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Desde sempre, o cinema foi um grande meio de se quebrar paradigmas e derrubar preconceitos, e apesar de Colegas não levantar diretamente nenhuma bandeira, o diretor Marcelo Galvão encontrou uma forma singela para demonstrar que todos tem o direito de buscar seus sonhos e que encontramos a felicidade nas coisas mais simples da vida, sem pieguice.

No filme, três colegas (que na verdade são grandes amigos) trabalham na videoteca do Instituto onde vivem e, inspirados pelo filmeThelma e Louise, pegam o carro do jardineiro, vivido por Lima Duarte, e saem pelas estradas em busca de seus sonhos. Stalone (Ariel Goldenberg) quer ver o mar, Aninha (Rita Pook) quer casar e Márcio (Breno Viola) quer voar. O diferencial é que os três são portadores de Síndrome de Down.

A partir daí, o filme torna-se um road movie com pitadas de comédia, e a paixão por filmes dão o toque especial, pois a todo momento eles citam frases famosas do cinema. O personagem principal, Stalone, foi batizado assim em homenagem ao ator preferido de seu pai, e logo quando fogem (num carro conversível que todo road movie deve ter) já decidem que serão Mr. Green, Mr. Blue e Mr. Pink, em referência aos personagens de Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino.

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O toque de comédia vem do nonsense por eles usarem máscaras de palhaços para assaltarem lojas de conveniência no caminho usando uma arma de brinquedo, a mídia os tratar como criminosos perigosíssimos e a dupla de policiais ser completamente atrapalhada. Já viram isso em algum filme? Pois é, eu também, mas o problema não está aí, os clichês são todos propositais. A cena do interrogatório no Instituto pode até arrancar risadas, mas talvez pelas razões equivocadas, e essa talvez seja a única sequência em que quase se ultrapassa a barreira do politicamente correto. Mas o diretor, tendo sido criado com um tio portador da síndrome, sabe o que está fazendo e segue seu roteiro sem medo, daí a força e sensibilidade do filme, que jamais trata seus protagonistas de forma caricatural ou com pena.

Mas na aplicação dos clichês é que a trama perde a força e a graça, fazendo com que algumas situações fiquem mal-explicadas (como é que os policiais deixaram de considerá-los bandidos e passaram a defendê-los mesmo?). Por outro lado, perde-se a chance de tornar algumas sequências mais poéticas, pois a narração de Lima Duarte do começo ao fim, além de explicar questões do passado dos personagens, também explica o óbvio do que está acontecendo naquele momento. Uma pena, já que o longa é belamente filmado, sempre ao som de Raul Seixas, com lindos quadros ao melhor estilo Wes Anderson (Moonrise Kingdom).

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De qualquer forma, entende-se o apelo ao filme, e não deixa de ser uma bonita história e uma quebra de paradigmas. O que parece uma aventura tresloucada para alguns é apenas uma brincadeira de criança para Stalone, Aninha e Márcio. A eficiência da narrativa se dará se o olhar do espectador passar a enxergar com os olhos dos Colegas.

Cotação 3-5

Colegas - poster

Colegas

Direção: Marcelo Galvão

Roteiro: Marcelo Galvão e Ricardo Barreto

Elenco: Ariel Goldenberg, Rita Pokk, Breno Viola, Lima Duarte, Rui Unas, Deto Montenegro, Leonardo Miggiorin, Marco Luque, Juliana Didone, Christiano Cochrane, Alex Sander, Amélia Bittencourt, Thogun, Vicki Araujo, Roberto Birindelli, Marcelo Galvão, Oswaldo Lot, Anna Ludmilla, Monaliza Marchi, Nill Marcondes, Giulia de Souza Merigo, Carlos Miola, Maytê Piragibe, Simone Teider, Alexandre Tigano, Elder Torres, Pedro Urizzi, Daniele Valente, Theo Werneck.

Gênero: Aventura/Comédia

Duração: 99 minutos

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