Como Agarrar Meu Ex-Namorado | Crítica
Existe um tipo de comédia romântica hollywoodiana em que sua única razão de ser é agradar a um determinado público [...]
Por Renato Rocha - 16 de Abril de 2012
Existe um tipo de comédia romântica hollywoodiana em que sua única razão de ser é agradar a um determinado público feminino, mulheres independentes e determinadas, espécies de discípulas de Carrie de Sex and the City. Para esse tipo de filme, é importante mostrar mulheres que corram atrás de seus objetivos.
Em Como Agarrar Meu Ex-Namorado (One for the Money) Stephanie Plum (Katherine Heigl) está falida. Está desempregada há mais de seis meses, tem seu carro rebocado na frente de toda vizinhança e mal tem dinheiro para se alimentar decentemente (os jantares na casa dos pais não são só por obrigação familiar), mas ela corre atrás. Diante dessa situação ela decide trabalhar como caçadora de recompensas e em sua primeira missão ela deve capturar Joe Morelli (Jason O’Mara), um ex-policial acusado de cometer um crime. Ocorre que Joe Morelli é um antigo affair de Stephanie, logo, capturá-lo torna-se não só uma chance de ganhar dinheiro, mas também de se vingar pelo o que aconteceu no passado.
Não espere mais do que a sinopse entrega. O roteiro pouco se esforça em ir além. Ao contrário, a história escrita por Liz Brixius, Stacy Shermen e Karen Ray é cheia de furos, com personagens secundários mal resolvidos (qual a função do Ranger de Daniel Sunjata?), uma tentativa de reviravolta final e uma resolução no mínimo preguiçosa. Isso sem contar a narração em off que só serve para tentar dar a Como Agarrar Meu Ex-Namorado um clima que ele não tem.
Mas a diretora Julie Anne Robin parece nem se importar muito com a história e está mais preocupada com outras questões, principalmente a de saciar o desejo feminino em se reconhecer em uma mulher determinada. Para facilitar essa identificação ela pinta os homens do filme como figuras repulsivas (todos os procurados são homens, o pai é um glutão omisso, o primo é tarado, o pretendente é desprezível e o mocinho é um “ex”).
Katherine Heigl mantém o mesmo tom de todas as suas comédias românticas e mais uma vez faz o papel da mulher que é normalmente desastrada e pateta, com ar desleixado e que extrai exatamente desse seu jeito alguma sensualidade. E é engraçado notar que justamente filmes como Como Agarrar Meu Ex-Namorado, que são feitos para enaltecer a figura feminina acabam fazendo justamente o oposto. Enquanto Stephanie surge de vestidinho e sapato ela parece inadequada para o serviço. À medida que ela vai perdendo a feminilidade (ela passa a usar colete e bota, e usa a força física para resolver um caso) ela parece se tornar mais competente. Isso sem contar a óbvia objetificação da mulher. Os decotes de Heigl e cenas como a das algemas no banheiro estão ali apenas para agradar o público masculino, ou alguém acha que não?
Em determinado momento de Como Agarrar Meu Ex-Namorado sabemos que o namorado do título, na verdade, nunca foi bem um namorado. Então a coisa toda faz sentido, tanto para o bem, quanto para o mal. Quer dizer então que a mulher deflorada deve correr atrás e literalmente “agarrar” o homem que a deflorou como se ele fosse, só por isso, o cara certo para ela? A diretora Julie Anne Robinson parece bem determinada em dar a sua resposta.
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