Contra o Tempo | Crítica

Apresentar as regras do jogo para depois ignorá-las é uma das principais maneiras de se diferenciar um filme picareta de [...]

Por Renato Rocha - 2 de Outubro de 2011

Contra o Tempo - PosterApresentar as regras do jogo para depois ignorá-las é uma das principais maneiras de se diferenciar um filme picareta de um que almeja algo mais, principalmente dentro do gênero de ficção científica, onde, não raro, se aproveitam de explicações técnicas intrincadas para disfarçar um deus ex machina. Esse não é o caso de Contra o Tempo (Source Code), segundo longa do diretor Duncan Jones (o mesmo do bom Lunar).

No filme acompanhamos a história do soldado Colter Steven (Jake Gyllenhaal) que desperta em um trem a caminho de Chicago dentro de um corpo de um estranho. Após uma explosão que vitima todos os passageiros do trem ele descobre que na verdade faz parte de um experimento militar que visa prevenir futuros atentados.

O tom episódico do início de Contra o Tempo constrói uma atmosfera similar aos filmes de M. Night Shyamalan, onde o incrível pode ser anunciado a qualquer momento sem que haja estranhamento do espectador, e nesse sentido a trilha ajuda a criar o clima de suspense. Mas tão logo somos jogados para dentro da trama fica um gostinho de Matrix, mas não um gosto amargo de cópia, pelo contrário. Talvez o filme não levante questões como Matrix levantou em seu tempo, mesmo que aqui a discussão sobre eutanásia pareça mais em foco do que a discussão sobre o que é real, embora seja bem mais leve.

O truque de Contra o Tempo é fazer o espectador pensar que está vendo uma ficção científica sobre um homem que revive os últimos oito minutos de vida de um passageiro que morreu no atentado ao trem. Mas Duncan Jones parece saber como quebrar as regras do jogo sem se perder, e nesse aspecto o roteiro é inteligente ao usar os personagens para isso de forma que não pareça artificial. É pelo olhar de Colter Steven que sabemos que o que acontece dentro do código fonte não é bem o que seu superior (Jeffrey Wright) acha que sabe, e é preciso atenção aí para não perder o fio da meada. Reviver os últimos oito minutos da memória de alguém permitiria ao soldado apenas presenciar os ecos dos fatos, como os precogs em Minority Report. Não é o caso. Há interatividade e com isso todo o filme ganha novo significado.

É a vitória da mente sobre o corpo. Ao mesmo tempo, é a mensagem do desejo pela continuidade da existência que acaba viciando e criando os problemas em Contra o Tempo que o roteiro não consegue solucionar, aliás, ignora solenemente. Afinal, é mais simples que o mundo seja salvo por um soldado americano e como prêmio ele possa desfrutar de uma outra realidade, mesmo que para isso ele coloque para escanteio um pobre professor de história.

Cotação 3-5

Assista ao trailer de Contra o Tempo 

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