Dezesseis Luas | Crítica
Saem os vampiros e entram as bruxas no sub-Crepúsculo da vez.
Por Renato Rocha - 2 de Março de 2013
Sempre que surge um blockbuster Hollywood arranja um jeito de sugar tudo até a última gota, cuspindo para o público um sem fim de filmes que se promovem a base de ser um “novo alguma coisa”, o “novo Matrix”, o “novo Harry Potter” etc. Não raro se tratam de obras sem personalidade e que palidecem diante da inevitável comparação com a matriz.
É exatamente dessa forma que Dezesseis Luas (Beautiful Creatures) é vendido, como o “sucessor de Crepúsculo”. O que deveria servir como chamariz (e servirá para boa parte do público alvo), na verdade é uma espécie de muleta para apoiar exatamente o que o filme é, ou pelo menos como ele parece ser exclusivamente tratado pelos seus realizadores, um mero produto criado para gerar lucro na esteira de outra franquia.
E nem se pode culpar muito o pessoal do marketing, afinal toda a trama de Dezesseis Luas também é baseada em um livro e segue a fórmula exata da saga vampiresca idealizada por Stephenie Meyer, com a simples mudança de gênero entre os protagonistas.
Assim temos o protagonista humano, a Bella da vez, que é um jovem do terceiro ano, Ethan (Alden Ehrenreich), que toda noite sonha com a mulher ideal, alguém boa o bastante para lhe tirar da vida mais ou menos que leva em Gatlin, uma cidadezinha do interior (uma espécie de Forks, só que no sul). Ele também se preocupa com o pai solteirão e se apaixona perdidamente por um ser mitológico, a adolescente Lena (Alice Englert), que é branquinha como Edward, mas não brilha. Ela é uma bruxa prestes a completar dezesseis anos.
Mas as semelhanças não param por aí. Há também o amor campestre (tal qual o casal de Crepúsculo eles se beijam em meio a temas da natureza), a inadequação do primeiro dia de aula, o momento show-off do ser mais poderoso, a complicação que separa o casal antes do terço final e os efeitos visuais com cara de mal acabados.
O pior é pensar que o diretor e roteirista Richard LaGravenese filma essas semelhanças como se fossem referências. Tudo com a finalidade de recontar uma história de amor proibido, uma encenação de Romeu e Julieta com telecinese e mandinga. O resultado é uma salada mal engendrada que leva longas duas horas para chegar ao fim.
Vale ressaltar ainda que o filme, em tese, teria mais grife que seu predecessor, já que conta com um elenco com nomes de mais peso, como Jeremy Irons e Emma Thompson (ambos já vencedores de Oscar) e Viola Davis (duas vezes indicada). Nada disso basta. Na comparação, esse Dezesseis Luas faz de Crepúsculo uma coisa fina. Não é de se admirar que o filme tenha ido mal na bilheteria americana. É só o espectador vomitando de volta o enlatado que lhe foi empurrado goela baixo e mostrando que o lançamento direto para o mercado de home vídeo seria a melhor opção.
Dezesseis Luas (Beautiful Creatures)
Direção: Richard LaGravenese
Roteiro: Richard LaGravenese, baseado no livro de Kami Garcia e Margaret Stohl
Elenco: Alden Ehrenreich, Alice Englert, Jeremy Irons, Viola Davis, Emmy Rossum, Thomas Mann, Emma Thompson, Eileen Atkins, Margo Martindale, Zoey Deutch, Tiffany Boone, Rachel Brosnahan, Kyle Gallner, Pruitt Taylor Vince, Robin Skye, Randy Reed, Lance E. Nichols, Leslie Castay, Sam Gilroy, Cindy Hogan, Gwendolyn Mulamba, Cole Burden, Billy Whelan, Christopher Darby, Ada Michelle Loridans, Bryan Adrian, Camille Balsamo, Tim Bell, Camille Blouin, Colby Boothman-Shepard.
Gênero: Drama/Romance
Duração: 124 minutos


