E.T. – O Extraterrestre | 30 Anos de um ícone
Uma singela homenagem à um clássico de nossos corações que chega aos seus 30 aninhos.
Por Thiago M. Cezimbra - 11 de Junho de 2012
Há exatos 30 anos entrava em cartaz um filme que atingiria os corações mundo afora. Há exatos 30 anos o mundo ganhava um ícone, uma marca, ganhava, por que não, um símbolo da amizade entre dois seres completamente diferentes por fora, mas irmãos em seu interior. Há exatos 30 anos, aterrisava nos cinemas do planeta inteiro (no Brasil tardiamente conforme você verá mais abaixo) uma das grandes obras-primas do mestre Steven Spielberg. Estou falando tão somente de E.T. – O Extraterrestre.
Reza a lenda que o roteiro original de E.T. seria para um filme de terror, onde uma família seria aterrorizada por seres estranhos, e o caçula da família acabaria criando laços com um dos seres. Também reza a lenda que Spielberg então teve a idéia de transformar este roteiro em dois filmes, sendo um retratando a tal família sendo aterrorizada por algo fantástico – se você por um acaso lembrou-se de Poltergeist – O Fenômeno, acertou em cheio, lembre-se que Spielberg é o diretor produtor do filme – e o outro retratando a amizade da criança com o tal ser “estranho”, nascendo aí E.T. como o conhecemos.
Quando o filme chegou aos cinemas em 1982, vale lembrar que o mundo era outro, completamente outro. Era época ainda da Guerra Fria, víamos EUA e União Soviética disputando espaço em todas as áreas e a todo o momento havia o temor de começar uma guerra nuclear entre as duas superpotências. No Brasil ainda se vivia sob a ditadura, e no campo esportivo, uma alegre Seleção Brasileira mostrava ao mundo como realmente se joga futebol e como se perde injustamente uma Copa do Mundo. Mas nos cinemas a disputa era muito boa. Apenas para se ter uma idéia, se E.T. estreava em 11 de junho de 1982, duas semanas mais tarde conheceríamos simplesmente o sensacional e Cult instantâneo, Blade Runner – O Caçador de Andróides, e neste mesmo ano conhecemos filmes como Tootsie, O Enigma de Outro Mundo, Rambo – Programado para Matar, Gandhi, Conan – O Bárbaro, Rocky III, A Força do Destino, entre outros, transformando o ano extraterrestre num dos mais pródigos da história de Hollywood.
Quanto ao filme em questão, o que falar? A história todos sabemos de cor e salteado. Elliott (Henry Thomas) é uma criança de 10 anos que em uma noite comum, ao ir buscar uma pizza na porta de casa, na volta tem sua vida completamente mudada ao encontrar nos fundos da casa um ser de aparência estranha, mas de coração muito dócil. A partir dali cria-se entre eles um laço, um vínculo que nem a distância sideral poderá diminuir. Elliott passa a proteger E.T. de sua mãe, de seu irmão, do mundo inteiro, protegendo também com ele este segredo perante a sua cidade e sua escola. A partir daí vemos como é possível dois seres tão distintos entre si serem amigos, apesar das diferenças. E une-se a essa clássica história, a trilha que se tornou épica e mundialmente conhecida. E a marca em si. Todos hoje em dia reconhecem o símbolo da Amblin Entertainment, produtora de Spielberg, que nada mais é que Elliott e E.T. em sua bicicleta sob a lua. Uma cena inesquecível.
Antes de chegar aos cinemas, em junho de 1982, E.T. havia sido exibido em Cannes, numa sessão privada, onde o filme acabou sendo aplaudido entusiasticamente. E.T. então partiu para sua bem sucedida carreira nos cinemas, fazendo 435 milhões de dólares dentro das fronteiras norte americanas e aproximadamente 358 milhões no exterior, contabilizando 793 milhões mundiais e transformando o filme em mania geral. Difícil é imaginar que um filme tão querido e ovacionado como esse e com estrondoso sucesso foi feito com apenas 10,5 milhões, quantia considerada hoje absurda para um filme deste porte. Atualmente não se paga nem o salário de um ator famoso com essa “ninharia”. Na época também o filme acabou sendo indicado a nove Oscars, incluindo melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original, porém acabou vencendo apenas quatro, todos em categorias técnicas (trilha sonora – óbvio -, efeitos especiais, efeitos sonoros e som).
Esta trilha sonora, vencedora do Oscar, merece um parágrafo a parte. Composta por John Williams, um gênio vivo ainda em atividade. Difícil crer que Williams a compôs em pouco mais de um dia, mas não é difícil crer que quando ele chamou Spielberg à sua casa para escutar, o diretor tenha caído em lágrimas, dizendo o quão perfeito era aquilo que ele recém havia criado e que não mudasse nenhuma nota, porque a trilha estava pronta. A trilha sensível intercala perfeitamente as partes reflexivas com as partes de suspense. Uma obra-prima à parte em outra.
Vale lembrar também algumas curiosidades: apesar de estrear nos EUA em 11 de junho de 1982, aqui no Brasil o filme chegou somente no Natal (!!!) daquele ano. A face do E.T. foi moldada baseada em rostos conhecidos como Albert Einstein e o poeta Carl Sandburg. E.T. foi o filme que lançou Drew Barrymore. A roteirista Melissa Mathison na época era namorada do astro Harrison Ford, viriam a casar depois e ficariam juntos até 2004. Harrison Ford inclusive chegou a gravar uma ponta no filme, como diretor da escola de Elliott, mas Spielberg decidiu cortar a cena na edição final.
Durante esses 30 anos, Spielberg jamais abandonou a obra, fez retoques digitais no E.T., incluiu cenas inéditas e tomou uma das decisões mais polêmicas possíveis ao substituir as armas dos policiais por rádios, na sequência final. Por sorte, o diretor recentemente voltou atrás na sua decisão. Spielberg parece ter percebido que o filme funciona também por ser um retrato de sua época (época em que apontar armas para crianças em filmes ainda era visto com ingenuidade) e prometeu que esse “erro” estará corrigido no blu-ray do filme, com lançamento já marcado para novembro deste ano.
Um filme, um marco, um ícone, um clássico, uma mania, uma marca, um mito. Nunca uma simples ligação para casa foi motivo de tanta comoção. Assim é E.T. – O Extraterrestre. Porque existem filmes e filmes, e este é simplesmente…ETerno.





Ai que saudade da minha Caloicross Extra Light 1983 azullllllll
NOSASS NAMEIROOOOOO KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.RSRRSRSRSRSRSRSRRSRSRSR
Lindo post, Rob!
Realmente é uma obra eterna!
Parabéns para esse clássico!