Flores do Oriente | Crítica
Drama de Zhang Yimou com Christian Bale é espetaculo para o ocidente.
Por Victor Barreto - 28 de Maio de 2012
Zhang Yimou é atualmente o diretor que melhor personifica seu país de origem, a China: megalomaníaco, com uma produção prolífica e de alto valor, mas que por baixo dos panos coloridos esconde toda sorte de problemas graves. Flores do Oriente é o mais novo exemplar desta fase pantanosa do realizador de filmes cultuados como Lanternas Vermelhas e Herói.
John Miller (Christian Bale) é um agente funerário enviado à China, em plena invasão japonesa a antiga capital Nanquim, durante a 2a Guerra. O episódio ficou conhecido como “Estupro de Nanquim” (do livro de Iris Chang), e ainda hoje gera problemas nas relações sino-japonesas. Por sorte ou destino, Miller consegue se abrigar na igreja católica, tendo como companhia cerca de 30 mulheres. Metade delas são estudantes internas da própria igreja, e a outra parte forma um grupo de cortesãs que enxergam no local uma oportunidade de se proteger, pois teoricamente está sob a proteção ocidental. Entre garotas tímidas, prostitutas vivazes, a aparente libertinagem de John, e o perigo dos japoneses, os conflitos não demoram a aparecer.
Para quem já está familiarizado com o estilo de Yimou, o virtuosismo com as questões visuais de Flores do Oriente não vai ser nenhuma novidade. O seu talento para criar sequências com uma plasticidade quase tangível muitas vezes recompensa o ingresso. Aqui, em meio a sujeira da guerra, ele mais uma vez conseguiu achar elementos para satisfazer seu fetiche (vão desde cordas de um instrumento até cacos coloridos de vitrais quebrados).
Mas as qualidades param por aí. A simples participação de Bale neste projeto essencialmente asiático já era uma armadilha para o roteiro se “ocidentalizar”, ou seja, restringir a história a uma visão idealizada dos fatos. Yimou não escapou. Enquanto John Miller torna-se o herói com um meloso arco de redenção, o filme incumbe o espectador de reservar sua preocupação e lágrimas às personagens dentro da igreja, resumindo os milhares que morriam muro afora como empilhadas peças do cenário. Isso torna-se pior quando lembramos que este episódio da história é praticamente inédito no cinema, e colocar “baseado em fatos reais” no início não justifica. Nem mesmo o idioma salva Flores do Oriente, e a estranheza de que na China de 1930 de repente todos sabem falar inglês é latejante. Contamos ainda com uma dispensável e intrusiva narradora que arruína a interpretação de muitas cenas, inclusive a final.
Em tempos em que o cinema autoral está em voga, é difícil justificar os motivos para Yimou dirigir este Flores do Oriente que não financeiros. Não fosse o seu talento para captar belas imagens, este poderia facilmente passar como um dos enlatados de Edward Zwick.
Assista ao trailer de Flores do Oriente
Obrigada! Tem tanta critica positiva sobre este filme, que eu estava me sentindo extranha por ter saido da sala no meio dele. Nem a fotografia nem a qualidade dos atores salvaram o roteiro medíocre.