Intocáveis | Crítica

Produção francesa com cara de hollywood reluz graças aos seus personagens.

Por Renato Rocha - 4 de Setembro de 2012

Intocáveis-posterAlguns filmes conseguem, por sorte, ou por competência do responsável por montar seu elenco, transformar os parceiros de cena em mais do que atores incorporando personagens, conseguem transformá-los em uma espécie de alicerce fundamental. A tal química, que extrapola a tela e é capaz de sustentar um filme. O exemplo máximo, e que qualquer um pode lembrar de imediato, é a dupla de policiais Martin Riggs e Roger Murtaugh, interpretados por Mel Gibson e Danny Glover em Máquina Mortífera.

A produção francesa Intocáveis (The Intouchables) chega agora aos cinemas apoiado nesse mesmo milagre. Escrito a partir do livro O Segundo Suspiro, de Philippe Pozzo Di Borgo (baseado em uma história real), a história nos apresenta ao tetraplégico Philippe (François Cluzet) e seu ajudante, Driss (Omar Sy), um jovem problemático que nunca cuidou de um cadeirante antes.

Usar um tetraplégico e um negro da periferia francesa sem oportunidades como elementos chave da história seria uma receita de drama segura para despertar as lágrimas fáceis do espectador. Ao contrário disso, os diretores Eric Toledano e Olivier Nakache fogem das questões melancólicas da situação e optam por explorar o humor, o que por si já evitaria comparações com obras como Mar Adentro, de Alejandro Amenábar. Diferente do depressivo Ramón Sampedro de Javier Bardem, as questões existencialistas a que Philippe se submete são de outra natureza. Não se trata de morrer ou não morrer, se trata de ser aceito e, principalmente, se aceitar por sua condição (o romance “espistolar” evidencia isso).

Há claro, em Intocáveis, a manipulação dos sentimentos reforçada pelo contraste dos estereótipos. No fundo não deixa de ser a história entre o rico e o pobre que encontram na vida miserável que levam (ambos com a família desajustada, principalmente Driss) um ponto de interseção que os aproxima e os faz crescer.

Mas é justamente a partir dessa dinâmica estabelecida entre o cadeirante de François Cluzent e o ajudante despachado de Omar Sy que reluz a história. A amizade que nasce entre os dois resulta em deboche com a música clássica, deboche com as artes e, obviamente, um sem fim de piadas de humor negro. Tudo com um tom leve, com uma cara meio de hollywoodiano, feito sob medida para agradar a todos os tipos de público, mas que ganha um frescor ímpar devido ao carisma dos dois atores.

Os intocáveis a que o título se refere não fica explícito durante o filme, mas não é difícil perceber a sua intenção vendo a relação entre Philippe e Driss. A solidão enfraquece, e qualquer fortaleza só se torna verdadeiramente inexpugnável através do encontro.

Cotação 4-5

 

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10 respostas a “Intocáveis | Crítica”

  1. Cinthia P Santiago diz:

    maravilhosooooooooooo

  2. Gente quem puder assista este Filme. É simplesmente MARAVILHOSO! Qdo sair em DVD vou comprar para assistir quantas vezes quiser. vale a pena!!!

  3. Jaroslau Fagundes Neto diz:

    Este filme é uma merda ridicula, critica completamente equivocada.

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