O Artista | Crítica
Por Renato Rocha - 11 de Fevereiro de 2012
O artista é aquele que realiza obras de arte. Independente da definição, a figura do artista para o cinema norte americano na década de 20 se concentrava naquele que arrebatava a plateia sem precisar dizer uma única palavra em cena.
George Valentin (Jean Dujardin) é essa figura em O Artista (The Artist). Ator de sucesso de filmes mudos e acostumado ao assédio da imprensa e fãs, ele acaba por se tornar ultrapassado com o novo recurso que chega ao cinema, o som. Apesar de acreditar que o som nos filmes não passa de uma invenção passageira, ele acompanha a ascensão do recurso e de uma fã sua, Peppy Miller (Bérénice Bejo), que vai se tornando uma reconhecida estrela de filmes “falados”. Assim temos o contraponto entre o novo e o velho. Valentin representa o velho e incapaz de admitir ser substituído pela chegada do novo ele mergulha em seu próprio orgulho.
A decisão do diretor e roteirista Michel Hazanavicius de fazer um filme mudo e em preto e branco (e no formato 4:3) não deixa de ser corajosa, mas ao mesmo tempo criativa. Ao contar a história sob o olhar de Valentin somos obrigados a ver o mundo como ele vê, sem som. Assim, é engraçado notar que o som, o novo, se torna o pesadelo de Valentin, literalmente. Dessa forma, O Artista soa como uma homenagem ao gênero, mas homenagem sozinha não sustenta nada e Hazanavicius parece saber disso. Se não tem som, ele capricha nas mensagens através de imagens.
Quando vemos Valentin afundando na areia movediça em seu filme percebemos que é uma referência a seu estado de espírito naquele momento. Da mesma forma quando vemos uma cena nas escadarias do estúdio onde Miller está subindo e Valetin descendo logo associamos ao momento que ambos vivem em sua carreira. O mesmo acontece quando Miller dá uma entrevista e a câmera foca em primeiro plano, com Valentin surgindo sem foco em segundo plano. Novamente o novo sobe e o velho desce. O Artista é repleto de metáforas visuais nesse sentido.
Mas é o trio formado por Jean Dujardin, Bérénice Bejo e o cãozinho Uggie, que dá sentido a O Artista. No fundo, a arte aqui é a mesma que se procurava na década de 20, a presença capaz de sustentar o filme. Méritos para a sensibilidade do diretor Hazanavicius, que parece capaz de perceber a amplitude do artista, e por conseqüência, da arte. O futuro traz o novo e mata o velho. Esse é o paradigma que o progresso traz. Mas a arte não morre jamais, quebra os paradigmas, resiste e se transforma.
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Jorge Soto
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