O Despertar | Crítica

Por Victor Barreto - 22 de Fevereiro de 2012

O Despertar - posterTerror é um dos gêneros mais especiais do cinema. Nele é possível libertar-se de qualquer corrente, seja da razão ou da verossimilhança – e justamente por isso, o talento dos envolvidos num filme é bem solicitado. E como talento é algo bem raro desde os primórdios (…), não é difícil entender o número bem baixo de produções que se destacam do mar de mediocridade “direto para locação” disponível por aí. A cruel verdade é que os fãs de terror têm de vasculhar a indústria dos filmes “B” para satisfazer seu desejo de qualidade, pois nela os envolvidos estão libertos também das grandes responsabilidades de altos orçamentos e dos estúdios com tesouras nas mãos. As produções acabam sendo surpreendentemente cheias de imaginação e criatividade. Portanto, ir com um pé atrás assistir a filmes de terror já se tornou um hábito. E para O Despertar, provou-se ainda necessário.

Em O Despertar, Rebecca Hall interpreta Florence, uma detetive da Londres pós-guerra. Cética e metódica, ela desmascara falcatruas de supostos paranormais, que aproveitando a época trágica, arrancam dinheiro de lúgubres parentes com um falso conforto do além. Ela acaba sendo convidada a desvendar um estranho caso em um colégio interno para meninos (a desculpa arranjada para ambientar a história em mais uma imponente e sombria mansão inglesa). Florence não demora muito para descobrir mais uma fraude, no entanto ela passa a ser assombrada por estranhos acontecimentos e logo se vê envolvida em algo bem mais grave e pessoal.

A produção de O Despertar tentou de tudo para agregar valor ao filme – o elenco, por exemplo, é dos mais interessantes. Fora Hall, temos a participação intensa de Dominic West e da grande Imelda Staunton – ambos se esforçam mais que o necessário, um grande desperdício de talento.

A cinematografia de Eduard Grau é eficaz ao situar tudo em uma atmosfera de luto, e a bela locação é matéria-prima para algumas fotos inspiradas. Porém nada disso salva a prepotência do roteiro, tentando inserir os fantasmas da guerra a qualquer custo no suspense. O Despertar se torna esquizofrênico sem necessidade, usando efeitos dispensáveis, sustos fáceis, uma casa de bonecas de causar lamentos ao espectador e ainda um clímax dos mais absurdos, com respostas à perguntas que não precisavam ser respondidas. E um final pseudo-ambíguo.

O final-surpresa é um artifício superestimado. Existem muitos casos nos quais é apenas a cereja do bolo, e esses podem (e merecem) ser revisitados. Existem também aqueles em que a supresa sustenta o filme, e apenas uma assistida é suficiente. O Despertar deve ser inserido em outra categoria: não é necessário ver nem pela primeira vez.

Cotação 1-5

 

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