O Que Esperar Quando Você Está Esperando | Crítica
Maternidade e paternidade são apresentados como o novo bicho papão do jovem adulto contemporâneo.
Por Renato Rocha - 6 de Agosto de 2012
Desde o sucesso de Simplesmente Amor (Love Actually) em 2003, que hollywood vez ou outra aposta suas fichas nesse tipo de filme, onde acompanhamos as diversas histórias de determinados personagens e seus dramas dentro de um tema específico, geralmente algo bem leve para que todos saiam de suas sessões com aquele sentimento recompensador de feel good. Recentemente Idas e Vindas do Amor e Noite de Ano Novo tentaram repetir o sucesso, mas acabaram soando como mais do mesmo e sem o charme do seu predecessor.
A bola da vez é O Que Esperar Quando Você Está Esperando (What To Expect When You’re Expecting), que utiliza a mesma fórmula, mas ao invés do amor e suas agruras, tem como tema central o medo e as expectativas dos casais diante dos vindouros herdeiros. A maternidade/paternidade como bicho papão dos jovens adultos contemporâneos.
No caleidoscópio de personagens de O Que Esperar Quando Você Está Esperando o espectador é apresentado a cinco casais que planejam ou não ficar “grávidos.” O casal mauricinho de Elizabeth Banks e Ben Falcone, o alternativo latino de Rodrigo Santoro e Jennifer Lopez, os fanfarrões de Dennis Quaid e Brooklyn Decker, o famoso que passa pelos mesmos problemas dos demais de Cameron Diaz e Matthew Morrison e os jovens aspirantes a chefs Chace Crawford e Anna Kendrick.
O problema com esse tipo de filme e que o diretor Kirk Jones não consegue contornar, é que ao ter muitos personagens principais, todos acabam sendo mal desenvolvidos. Aí se apela para a construção de estereótipos para que haja alguma identificação com o espectador. A mulher que sofre horrores com a gravidez em contraponto à perfeita que não engorda ou sequer sente nada, o casal jovem que passa por dificuldades para fortalecer a relação, a workaholic que tem que abdicar do trabalho e, claro, o casal que irá adotar uma criança negra africana para dar o exemplo de como o ser humano pode ser magnânimo.
O que todos os núcleos têm em comum é o fato de que a chegada do bebê é um momento primordialmente feminino. Enquanto as mulheres se tornam megeras manipuladoras os homens ficam relegados a um protocolar “sim, senhora.” Talvez por isso os melhores momentos de O Que Esperar Quando Você Está Esperando são os que fogem desse padrão e mostram o escrachado clube dos pais liderado por Chris Rock.
O grande mote do roteiro é o medo da maternidade/paternidade incutido na cabeça dos personagens. O simples procriar acaba superestimado e soa não só como um enorme sacrifício como algo quase não natural. Nada mais do que reflexo da exigência atual da sociedade em se ser eternamente jovem. A maternidade/paternidade é a fronteira final. Lógico, diante da conclusão reducionista do nasce-cresce-reproduz-morre, chegar ao estágio da reprodução significa que o próximo está logo ali. O que seria da raça humana se dependesse de toda essa hesitação?
O Que Esperar Quando Você Está Esperando não é uma pergunta, ao contrário, o título promete revelar algo que nem é uma revelação tão grande assim. Kirk Jones, afinal, deve saber que o título serve também de aviso ao espectador. Diante da superficialidade com que o tema é tratado e a quantidade de clichês que ele apresenta, quanto menos se esperar do filme, melhor.