Se o cinema de Alexander Payne pudesse ser definido em uma palavra, “simplicidade” seria um termo bastante adequado. Seus filmes são uma lição de como montar narrativas tão comoventes quanto reais sem cair na armadilha das trilhas melosas e das frases de efeito. Assim como no ótimo Sideways – Entre Umas e Outras, Payne conta uma história de aprendizado e descobertas na maturidade, mostrando, mais uma vez, que não existem caminhos fáceis nas relações familiares e que boa parte dessas relações só sobrevive com persistência e dedicação.
Matt King (George Clooney) é um advogado de meia-idade, pai de duas filhas e cuja esposa está em coma irreversível após um acidente de barco. Os Descendentes narra sua trajetória aprendendo a lidar com a desconfortável tarefa de redescobrir sua família e retomar o papel que há muito relegara à mulher. Clooney é absolutamente impecável em cada pequeno passo dessa jornada e consegue reunir com muita competência a fragilidade, o medo, o carinho e até o humor que permeiam a relação entre pais e filhos. As descobertas do personagem, muitas relacionadas a problemas conjugais, surgem como um desafio ao caráter de Matt e, entre a razão e a sensibilidade, Clooney se equilibra em uma corda bamba que comove, diverte e faz refletir.
Destaque para a filha mais velha, interpretada pela atriz Shailene Woodley, que mostra um companheirismo genuíno com Clooney, virando uma espécie de backpack do pai na reconstrução do lar. Mesmo enfrentando todos os problemas típicos da adolescência, a garota percebe a responsabilidade de tomar as rédeas da casa e ajudar Matt a lidar com as novas circunstâncias. Há um relacionamento ali que se fortalece aos poucos e é acrescido de outras duas peças importantes: a caçula Scottie (Amara Miller) e o amigo inseparável de Alexandra, o bobalhão simpático Sid (Nick Krause), dono dos momentos mais engraçados do filme.
Outros personagens entram na trama, mas embora revelá-los tire o prazer da descoberta, adianto que nenhum deles parece deslocado ou sem sentido. Há literalmente um papel fundamental a ser exercido por cada um.
O filme é uma oportunidade para se emocionar com vicissitudes que afetam ou afetarão todos nós em algum momento. Na história perfeitamente orquestrada por Payne e Clooney, não ficam dúvidas de que a família, mesmo aos trancos e barrancos, é tudo que resta no final.









2 comentários
Jorge Soto disse:
2 de Fevereiro de 2012 em 8:27 (UTC -2 )
Eu ja achei apenas bonzinho, nada de excepcional… Payne so nao cai na pieguice completa apenas pq se vale de humor, as vezes sutil e outras nem tanto, como na presenca dispensavel do namoradinho da filha teen do Clooney. O Salsicha (Scooby-Doo) tb nao convence como o cara lhe poe os cornos.. Sessao da Tarde redondinha apenas. Mas se gostou desse, entao deve assistir o indie Grace is Gone, com John Cusack… mesma coisa, so a mae das pirralhas morre em combate, no Iraque..
Ulisses disse:
7 de Fevereiro de 2012 em 22:06 (UTC -2 )
Este filme é bem fraquinho, o personagem Sid é ridículo e esse personagem resume bem o filme, super clichê! Não vale a pena.