Para Sempre | Crítica

Diretor transforma drama em cartilha impossível de comportamento masculino.

Por Renato Rocha - 12 de Junho de 2012

Para Sempre-posterTodo ano, com a proximidade do Dia dos Namorados, as distribuidoras preparam aquele filme que com certeza atrairá os casais apaixonados ao cinema. O dinheiro em troca de viver através da tela grande o romance perfeito e idealizado, todas as provações e superações que o amor deve se submeter para se mostrar forte e inabalável.

Para Sempre (The Vow) é a aposta da vez para preencher essa lacuna nos amantes. Os estereótipos de fácil identificação se apresentam instantaneamente na figura de seus protagonistas. A mulher linda e indefesa e o homem alto, forte, descolado e, acima de tudo, loucamente apaixonado.

A trama do filme, baseada em fatos reais, coloca o casal Paige (Rachel McAdams) e Leo (Channing Tatum) em um drama que muda suas vidas. Depois de um acidente de carro, Paige acaba perdendo a memória. Não toda, apenas os últimos cinco anos de sua vida. Justamente o período em que ela abandonou a faculdade de direito para se dedicar às artes, terminou um noivado, deixou a casa dos pais e se casou com Leo.

De cara fica evidente que o prejuízo maior é o de Leo, que se vê diante de uma situação impossível. Como aceitar que sua esposa que te amava acorda sem saber quem você é? Enquanto Paige se encontra novamente com a vida que tinha antes, Leo se ressente não só por perder o amor de sua esposa, mas também por não ter coragem de boicotar que ela tenha uma nova “chance” de resgatar o relacionamento que ela tinha com os pais.

Enquanto se concentra em preencher sua quota de romance e drama na medida certa para os casais, Para Sempre agrada, principalmente por contar com o carisma de seus protagonistas. No entanto, o diretor estreante Michael Sucsy, consciente de que está fazendo um filme voltado basicamente para o público feminino, passa então a se dedicar à montar uma cartilha de atributos e comportamentos onde a figura do macho deve seguir todos os requisitos, um a um, para agradar a sua parceira. Não apenas a mocinha da história, mas todas que estão assistindo ao filme.

Para Michael Sucsy, o homem deve correr atrás, se mostrar persistente, criativo, se sacrificar (cena da chuva), dizer que ama o tempo todo, ser atencioso, protetor, saber de cor todas as datas e detalhes sagrados do relacionamento, ser especialista em frases de efeito, enfrentar os sogros e, sobretudo, esquecer-se do amor próprio. Soma-se a isso o fetiche feminino de que o homem deve reconquistar a mesma mulher seguidas vezes para não perdê-la e o tratado de Para Sempre está feito, pronto para reprovar cem por cento dos pobres incautos que só queriam agradar a parceira quando ela decidiu que filme veriam.

Na missão de Leo para reconquistar a sua amada em Para Sempre, o diretor Michael Sucsy repete a máxima de que são os “momentos de impacto que nos definem”. Deveria ele tentar seguir seu próprio mandamento, só assim, quem sabe, impediria o espectador de esquecer seu filme.

Cotação 2-5

Assista ao trailer de Para Sempre

 

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