Plano de Fuga | Crítica

Mel Gibson volta a atuar em um filme de ação e garante um bom resultado.

Por Renato Rocha - 21 de Maio de 2012

Plano de Fuga-posterDesde 2002, quando estrelou Sinais de M. Night Shyamalan, o controverso astro Mel Gibson ficou praticamente afastado dos filmes na função de ator. Se dedicando mais à direção (Paixão de Cristo e Apocalypto surgiram nesse período) e aos escândalos de sua vida pessoal, ele retornou a atuar em um filme apenas em 2010, com O Fim da Escuridão e logo no ano seguine já estava novamente na frente das câmeras em Um Novo Despertar. Agora ele volta ao seu habitat natural ao estrelar um novo filme de ação, Plano de Fuga (Get The Gringo).

No filme Mel Gibson interpreta um fugitivo criminoso sem nome (tal qual em Drive ele também está creditado como driver), que cruza a fronteira dos EUA e vai parar em uma penitenciária do México. Lá ele precisa se adaptar à violência e às condições precárias, além de ter que lidar com a corrupção da polícia, um grupo de bandidos que manda e desmanda no presídio e ainda com os criminosos que estão soltos e atrás dele.

Com direção do estreante Adrian Grunberg (que foi assistente de direção de Mel Gibson nos dois últimos filmes que ele dirigiu), Plano de Fuga investe inicialmente mais na construção do seu cenário e no seu funcionamento do que nos personagens em si. O que precisamos saber sobre o personagem de Mel Gibson é sugerido por uma tatuagem e a sua dinâmica com o menino (Kevin Hernandez) é a responsável por situar o espectador. Não que isso atrapalhe o filme. Ao contrário, Plano de Fuga funciona como um bom filme de ação justamente por não perder tempo se aprofundando em subtramas, ou por não se prender a críticas ao sistema penitenciário mexicano e, principalmente, por contar com um carismático e inspirado Mel Gibson no papel principal.

Aliás, não só no papel principal. Mel Gibson também produziu e co-roteirizou Plano de Fuga. Talvez por isso alguns elementos que invariavelmente estão presentes nos seus filmes se repetem aqui. Rapidamente identificamos o vigor nas cenas de ação (os 56 anos parecem não pesar nem um pouco), o olhos esbugalhados de louco, o humor politicamente incorreto e a violência gráfica, que aqui surge gerando um pouco menos de tensão devido ao tom do filme.

Mas é justamente o roteiro que acaba prejudicando o filme, mais especificamente sua resolução. Além de soar apressada, todo o plano idealizado parece meio estapafúrdio afinal (ok, o lance do Clint Eastwood foi engraçado, mas meio forçado, né?) e, pior, muito simples. O que gera uma certa frustração (se era tão simples porque ele não fez isso antes?).

Talvez Plano de Fuga não possa ser considerado como mais um filme memorável de Mel Gibson. Muito provavelmente não o será. Mas ver o ator em cena mostrando que ainda pode render é sempre bom, principalmente se sua participação proporciona aquele sorriso de satisfação e uma diversão direta e honesta.

Cotação 3-5

Assista ao trailer de Plano de Fuga

 

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