Reis e Ratos | Crítica
Por Renato Rocha - 20 de Fevereiro de 2012
Em 1963, às vésperas do Golpe Militar de 64, o Brasil vivia um efervescente cenário político. O medo de que o comunismo tomasse conta do país virava a cabeça dos militares, que conspiravam para tomar o poder. Ao mesmo tempo, no cenário internacional, a luta contra o comunismo se dava através do embate Estados Unidos x União Soviética.
E esse é o cenário que contextualiza Reis e Ratos, filme escrito e dirigido por Mauro Lima (Meu Nome Não é Johnny), porém com uma visão bem humorada que satiriza todo o acontecido. A trama se passa no Rio de Janeiro de 1963. A cantora Amélia (Rafaela Mandelli) escapa de um atentado a bomba ao ouvir uma estranha mensagem no rádio, feita durante o programa do radialista Hervê (Cauã Raymond). Depois, por meio de um flashback, entendemos como tudo se desenrolou até ali e qual o verdadeiro intuito daquele atentado.
As interpretações cartunescas chamam logo atenção e realçam o tom de sátira de Reis e Ratos. Exemplos maiores são os personagens Troy Summerset (Selton Mello) e Major Esdras (Otávio Müller), que surgem em cena sempre falando como se estivessem sendo dublados, mas são mesmo de Selton as melhores tiradas. O ator abusa da canastrice, no bom sentido (os olhos sempre apertados para mostrar sua perspicácia são uma boa sacada que tornam o personagem ainda mais over), e cria a figura mais divertida do filme, um agente da CIA, que ama viver no Brasil.
O tom de comédia, no entanto, não é desculpa para a bagunça que toma conta da parte final de Reis e Ratos. Em determinado momento o filme perde completamente o rumo e começa a se repetir (perdi as contas de quantos piripaques teve o personagem de Cauã Raymond) até chegar a uma conclusão confusa.
O engraçado é que toda a sátira de Reis e Ratos não impede Mauro Lima de passar uma mensagem claramente imperialista, ou mesmo de mostrar a sua visão do Brasil e do povo brasileiro. Ser chamado de país do jeitinho já é mais do que clichê e Mauro Lima reforça isso ao mostrar que Troy Summerset gosta do país mesmo é por causa da esculhambação. Mas aí o diretor nos apresenta também ao negro comunista, o homossexual enrustido, um major articulista, um latifundiário vingativo, uma cantora de cabaré que se vende por dinheiro e a esposa infiel. Todos fazem parte de uma gama de personagens brasileiros de conduta questionável, que encontram seu ícone máximo no trambiqueiro de Rodrigo Santoro, que surge em tela sempre com aspecto desprezível. Assim, fica evidente quem Mauro Lima considera quem são os reis e quem são os ratos. “Disgusting.”
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