Sem Saída | Crítica

Primeiro filme de Taylor Lautner como protagonista, Sem Saída (Abduction) é uma tentativa de filme de ação para adolescentes, que [...]

Por Renato Rocha - 26 de Setembro de 2011

Sem Saída PosterPrimeiro filme de Taylor Lautner como protagonista, Sem Saída (Abduction) é uma tentativa de filme de ação para adolescentes, que erra no tom ao se levar a sério demais.

Lautner vive Nathan Price, um adolescente que tem uma vida típica de um americano de sua idade, vai da escola pra casa e da casa para as festas, onde se embebeda e ensaia um atrito com quem esbarra nele no meio da multidão. Mas as semelhanças com a maioria param por aí. Ele vai à psiquiatra (Sigourney Weaver) para controlar seus acessos de raiva e treina com o pai diversas formas de luta.

É uma forma de antecipar o que está por vir. Se Sem Saída começa de forma interessante é por conta de Jason Isaacs e Maria Bello, que interpretam os pais de Nathan e são os responsáveis pelas melhores cenas. Mas logo que a trama vira um thriller de perseguição perde a força.

Falta sutileza ao diretor John Singleton. Se a internet pode ser terreno próspero para pedófilos, também pode ser espaço para assassinos super treinados capturarem suas vítimas. Teria maneira mais sutil de passar a manjada lição de que os pais devem estar sempre atentos aos papos virtuais dos filhos? John Singleton joga tudo na cara. Capricha nos closes de Lautner, ele sabe o que as meninas (não só elas, sem dúvida) querem ver, e tenta explorar isso, mas também abusa de closes para ressaltar algumas situações bobas, como quando Nathan e a Karen (Lily Collins) se encostam durante um trabalho do colégio. Enfia goela abaixo do espectador a inspiração dele, ou pelo menos do tom que ele gostaria de passar a seu Sem Saída, ao sugerir uma semelhança de Lautner com Matt Damon, como se precisasse disso para alguém notar as óbvias referências à Bourne.

É incrível que hollywood ainda insista em clichês como o vilão estrangeiro (russo, é claro), ou o melhor amigo negro e contraventor. Alfred Molina tenta fazer um agente da CIA diferente e soa engraçado ao procurar soluções que evitem a fadiga, mas é mal aproveitado. E se a história de Sem Saída já não é grandes coisas no quesito originalidade o roteiro não faz muita coisa para melhorar isso. Embora as sequências de ação até resultem em bons momentos, e Lautner se mostra particularmente eficiente nelas, as soluções parecem preguiçosas e, na maioria das vezes incoerentes. Não dá pra aceitar que em determinado momento alguém avise a Nathan que pode ouvir o que ele diz pelos celulares e no momento seguinte ele ligar para encontrar “escondido” um amigo que irá lhe ajudar.

Agora sei o que estou fazendo”, é o que diz Nathan Price em determinado momento de Sem Saída. Talvez ele saiba, mas ao fim do filme fica a sensação de que isso foi dito por uma criança, que repete a fala para si mesmo tentando se convencer de que não está mais debaixo das asas dos pais, mesmo que isso não seja a verdade.

Cotação 2-5

Assista ao trailer de Sem Saída

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