Sete Dias com Marilyn | Crítica
Excesso de personagens secundários enfraquece a trama e deixa a narrativa prolixa.
Por Victor Barreto - 30 de Abril de 2012
Laurence Olivier é talvez o ator inglês mais consagrado de todos os tempos. Influente dentro e fora dos palcos, na frente e atrás das câmeras, o vencedor do Oscar de 1948 é até hoje um dos poucos de seu ofício a carregar o título de “Lorde” (que inclusive acabou tornando-se um apelido por seus colegas em Maratona da Morte, já na velhice). Conhecido pelo empenho em levar Shakespeare para o cinema, o ator traçou um interessante paralelo com outro amante do Bardo, Kenneth Branagh, que aqui o interpreta. Já Marilyn Monroe, embora dispense apresentações, teve e tem muitas vezes o talento como atriz eclipsado por sua sensualidade. Em Sete Dias com Marilyn (My Week With Marilyn), presenciamos o conflito direto entre essas duas lendas, com métodos e filosofias totalmente diferentes.
O filme reconta os bastidores da produção O Príncipe Encantado, dirigido e estrelado por Olivier. Alegando que sua esposa na época, ninguém menos que Vivien Leigh, já estava velha demais para co-estrelar, foi decidido que o papel de Elsie, uma corista ingênua que se apaixona por um imponente príncipe do leste europeu, ficaria com a já lendária Marilyn (Michelle Williams). A semelhança entre ficção e realidade é óbvia, mas a busca da loira por mais profundidade nas atuações (utilizando o instintivo “Método”, do mentor Lee Strasberg) aliada aos crescentes problemas com a absurda fama prematura, acabam gerando problemas com o pontual e ortodoxo Lorde.
A situação de Sete Dias com Marilyn é facilmente transponível para o mercado de trabalho atual, considerando as crescentes tensões entre gerações distintas. Portanto, é uma pena tal discussão dividir o tempo de projeção com o romance que justifica o título. Colin (Eddie Redmayne) , um rapaz ambicioso e aficcionado por cinema, consegue a oportunidade de participar do projeto com um cargo de assistente. Com a dose certa de gentileza e charme, conquista Marilyn, que logo o acolhe em sua carência por afeição legítima. A triste verdade é que não demora muito para Sete Dias com Marilyn se tornar um romance medíocre e novelesco. O talentosíssimo elenco torna tudo um pouco mais dinâmico e agradável, mas o excesso de personagens secundárias rouba o foco a cada instante, muitas vezes deixando a narrativa prolixa.
Nos aspectos técnicos, a constituição de época de Sete Dias com Marilyn é formidável, e é notável também como o figurino auxiliou a pequena Michelle Williams a ganhar cruciais centímetros para retratar a lenda Monroe literalmente à altura. Sua atuação era vital para que o filme não fosse um fiasco, e ao invés de se resumir a uma cópia (algo muito comum nas milhares de biografias produzidas atualmente), ela cria uma releitura do mito, ao seu modo, agregando muito mais personalidade e feitiço ao papel. Fica extremamente fácil entender o fascínio emanado por aquela mulher – e contribuiu muito para a cena em que Laurence Olivier percebe isto dando a entender inclusive que reviu seus conceitos quanto à sua profissão (apesar de que o homem só retornou a direção de um filme 15 anos mais tarde).
Ao se despedir no set de filmagens, Marilyn diz a todos: “Gostaria que vocês lembrassem que ao menos eu tentei”. Após alguns bocejos, fica a dúvida se isto valia também para os espectadores.
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