Um Método Perigoso | Crítica
Tendo alcançado bastante sucesso com seus últimos dois filmes, Senhores do Crime e Marcas da Violência, David Cronenberg já tinha [...]
Por Victor Barreto - 2 de Abril de 2012
Tendo alcançado bastante sucesso com seus últimos dois filmes, Senhores do Crime e Marcas da Violência, David Cronenberg já tinha certa fama por sempre trabalhar com temas relacionados à mente, principalmente o lado sombrio, o que aproxima muitos de seus filmes do gênero terror. Em Spider – Desafie Sua Mente, ele literalmente retratou uma complexa teia na psique de um homem traumatizado pelo seu passado. Portanto, não é difícil compreender o interesse do diretor em fazer Um Método Perigoso (A Dangerous Method), cuja história centra no nascimento da psicanálise.
Na trama de Um Método Perigoso, Freud (Viggo Mortensen), conhecido como o pai desta ciência, e Carl Jung (Michael Fassbender), fundador da psicologia analítica, aproximam-se para discutir um curioso caso clínico do último, Sabina Spielrein (Keira Knightley). Jung a curou utlizando os métodos ainda pouco explorados de Freud e com isso, os dois logo criam um laço para afunilar suas afinidades. Esta relação perdura por anos sob o caráter de amizade, mas divergências aparentemente profissionais vão criando um abismo que os leva a um inevitável conflito.
Apesar de não ser uma novidade, é fascinante assistir figuras tão ilustres interagindo na tela, tecendo rascunhos de algo que hoje em dia está na veia da humanidade. O problema aqui foi basear todo o fôlego de Um Método Perigoso numa situação que soa muito como uma versão romanceada dos fatos, banalizando o episódio a um melodrama sem muita inspiração. Tanto Mortensen quanto Fassbender parecem intimidados com a dimensão de suas personagens, e limitam-se a seguir o roteiro, o que abre espaço para Knightley. Ela está sempre sob os holofotes da nossa atenção: no início, ainda doente, a atriz entrega-se exasperadamente ao distúrbio sadomasoquista de Sabina rapidamente revelando agonias profundas (muitas das quais o roteiro fez questão de escancarar, desnecessariamente). Na última metade, sua personagem adquire um novo propósito, o de perpetuar as teorias de Freud, de que traumas provêm da sexualidade, sem descartar as de Jung, de cunho mais supersticioso.
Diante disso, Um Método Perigoso vai se auto-sabotando, ao desviar a questão da psicanálise para um drama mais “terreno”. O diretor parece ligar o automático em alguns momentos, e até mesmo a narrativa visual, uma de suas marcas fortes, perde força ao longo da projeção. Para amarrar, ainda utilizou o preguiçoso recurso no qual, através de breves linhas, resume-se os destinos de Freud, Jung e Sabina – nada lisonjeiro, diga-se de passagem. Levantando diversas questões, ora primárias ora filosóficas, a verdadeira pergunta que permaneceu no final foi “e cadê o Cronenberg”?
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