Noel Gallagher’s High Flying Birds | Crítica

Leia a nossa crítica do cd solo do irmão mais talentoso da família Gallagher

Por Jorge Fragoso - 24 de Outubro de 2011

Noel Gallagher's Gigh Flying BirdsNa semana passada, vazou na internet o primeiro álbum solo de Noel Gallagher, ex-guitarrista e principal compositor do Oasis – quem acompanha este blog provavelmente já tinha visto a notícia.

“Noel Gallagher’s High Flying Birds” possui dez faixas, todas compostas por Noel, que também assina a co-produção do disco ao lado do produtor Dave Sardy – os dois já haviam trabalhado em conjunto na produção dos dois últimos álbuns do Oasis, o “Don’t Belive the Truth” (2005) e o “Dig out your soul” (2008).

Para os fãs do Oasis, talvez a primeira impressão ao ouvir o álbum não seja tão boa. Tudo porque, de um modo geral, as canções possuem uma sonoridade mais limpa se comparada aos álbuns gravados entre 1994 e 2008 com Liam e companhia – violões e teclados predominam na harmonia das canções, em lugar do “paredão” de guitarras distorcidas que era uma das marcas registradas do som do Oasis.

A tendência, porém, é de que essa impressão vá ficando pelo caminho aos poucos, já que o material escolhido pelo guitarrista e compositor para integrar seu primeiro álbum solo é ótimo, além de ter sido muito bem produzido.

Uma audição mais atenta do disco também leva à conclusão de que o trabalho possui uma boa dose de influência dos Beatles, o que não chega a ser uma novidade, já que é notória a adoração de Noel pelo quarteto de Liverpool.

Até no nome do álbum é possível identificarmos tal influência – difícil dizer que o título “Noel Gallgher’s High Flying Birds” não é inspirado em “Sgt. Pepper’s Lonelly Hearts Club Band” quando se sabe dessa devoção de Noel pela banda de John, Paul, George e Ringo.

“Everybody is on the run” foi a música escolhida para abrir o disco. Nessa canção, Noel abusa (no bom sentido) do uso de teclados simulando coros e cordas e dos backing vocals, que aparecem em quase toda a música. Destaque para o forte refrão, tanto na melodia quanto na letra (“Hanging there love, we gotta hold on, ‘cause everybody is on the run”). É, sem dúvida, uma das três melhores músicas do álbum.

Em seguida vem “Dream on”, melhor música do álbum na opinião deste humilde articulista, e talvez uma das cinco melhores que Noel fez nos últimos dez anos. A boa letra, cheia de metáforas, traz a mensagem de que devemos continuar sonhando, mesmo que engolidos pelo cotidiano muitas vezes desolador e devastador. A ótima linha melódica é daquelas de grudar na cabeça e não sair mais. Os backing vocals no melhor estilo daqueles famosos quatro rapazes de Liverpool dão um charme a mais.

“If I had a gun” é o terceiro single do álbum, já podendo inclusive ser ouvida em rádios brasileiras. A parte inicial da música lembra um pouco a de “Magic Pie”, do próprio Noel, gravada no terceiro álbum do Oasis, o “Be Here Now” (1998). É mais uma música em que os teclados aparecem com destaque, mas dessa vez acompanhados por guitarras distorcidas – é uma das poucas músicas em que as guitarras lembram a do bom e velho Oasis, ainda que mais discretas.

“Death of you and me” foi a música escolhida para ser o primeiro single do álbum, e já teve até seu clipe divulgado neste blog. A música, em princípio, causou bastante surpresa devido à utilização de alguns elementos que não eram vistos com tanta freqüência e destaque nas canções do Oasis, como metais e percussão, que do modo como foram produzidos e arranjados dão à música uma atmosfera meio circense, que é retratada no clipe – essa, aliás, seria mais uma influência do “Sgt. Pepper’s”, a meu ver. É uma boa canção, mas não acho que esteja entre as melhores do disco.

“(I Wanna Live in a dream in my)” Record Machine” está entre as três melhores do disco, ao lado das já citadas “Dream on” e “Everybody is on the run”. A introdução lembra a de “Lovely Rita”, dos Beatles (olha o “Sgt. Peppedr’s” aí outra vez!), sobretudo quando entra o teclado simulando um coro. É uma das únicas músicas do disco que tem um solo de guitarra, que do meio pro final é acompanhado por um teclado que faz a simulação de cordas (acredito que não sejam cordas mesmo), ponto alto da música e um dos melhores momentos do álbum.

“AKA…What a life!” traz guitarras com timbres limpos ao fundo e, em alguns momentos, caprichadas no delay, o que junto com a bateria bem marcada e o piano, que se destaca na música, dão à música uma atmosfera semelhante a que é vista em algumas canções dos últimos álbuns do Coldplay, banda que Noel já declarou admirar. Foi escolhida para ser o segundo single do álbum.

“Soldier boys and Jesus freaks” entrou como a sétima faixa do álbum, mas bem que poderia ser um lado B de “Death of you and me”. Os metais também se destacam bastante nessa faixa, que tem baixo e bateria fazendo uma base bem sólida – talvez seja a faixa em que o baixo mais se destaca, embora a linha melódica desse instrumento não seja marcante na música. Os teclados ficam mais como um pano de fundo. Não é uma música ruim, mas achei a pior do disco.

“AKA … Broken Arrow” poderia ser um single facilmente. É uma música com boa melodia e refrão “chiclete”. O que mais me chamou a atenção na sonoridade foi a percussão, feita por um instrumento não tão comum no mundo do rock – um bongô, que aparece até de forma bem perceptível na música. A letra é boa, uma das melhores do álbum.

“(Stranded on) The Wrong Beach” é uma música gostosa de ouvir, embora provoque uma espécie de anti-clímax nos mais ávidos pelas guitarras distorcidas do Noel da época do Oasis. Ela começa com uma microfonia de guitarra que faz o ouvinte esperar pelo “paredão sonoro” do Oasis, mas ele acaba não vindo. Apesar disso, é uma boa música, com uma dobradinha de baixo e bateria possantes. Tem ainda um solinho de guitarra cheio de delay que fica tão discreto que mal dá pra ser chamado de solo, e um trecho com palmas ao fundo, um recurso que o Oasis utilizava em algumas músicas também.

“Stop the clocks” fecha bem o disco. Essa música pode-se afirmar com certeza foi composta ainda na época do Oasis – no youtube é possível encontrar vídeos dela como sendo uma “demo” da banda. Os violões predominam em boa parte da música, mas nos refrões as guitarras entram com tudo, dando um gostinho especial aos fãs mais antigos do Oasis. Pra terminar, o bom e velho paredão de guitarras, um solo de guitarra meio psicodélico usando slide, com o baterista esmurrando seu instrumento, e o baixo bem firme. É o momento mais rock n’roll do disco, justo em seu encerramento. Ótima escolha encerrar assim, por sinal. Deixou aquele gosto de “quero mais”.

Ontem foi divulgada uma notícia dando conta de que na semana de estréia, o “Noel Gallagher’s High Flying Birds” já entrou no topo da lista das paradas britânicas, com 120 mil cópias vendidas apenas na semana de estreia. Com isso, o álbum do Noel vendeu quase o dobro do disco de estreia do Beady Eye, banda formada pelo outros integrantes do Oasis, se comparadas as semanas de estreia de ambos.

O resultado é, sem dúvida, merecido. “Noel Gallagher’s High Flying Birds” é certamente um dos melhores álbuns de 2011, e mostra mais uma vez que, quer Liam queira, quer não, Noel Gallagher era realmente “O” cara do Oasis.

E vocês, gostaram do álbum? O espaço está aberto para quem quiser opinar!

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Uma resposta a “Noel Gallagher’s High Flying Birds | Crítica”

  1. Vitorourivio diz:

    O disco é lindo e melhor que o Beady Eye na minha opinião, mas o Beady eye fez um disco sensacional também!

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