Minha Summer Season | Review

Para qualquer fã de séries, summer season é a época de vacas magras e comigo não é exceção. De todas [...]

Por Luiz Soares - 1 de Agosto de 2011

Para qualquer fã de séries, summer season é a época de vacas magras e comigo não é exceção. De todas as séries exibidas atualmente, só estou acompanhando três, por isso resolvi comentar tudo de uma vez, até porque duas delas não inspiram comentários semanais mesmo.

The CloserPela primeira vez em sua trajetória, The Closer investe em um arco central que toma tanto ou mais tempo do que seus casos semanais – uma decisão atípica para a série, mas correta por preparar o terreno tanto para a saída de Brenda quanto para a promoção da Captain Raydor para o posto de protagonista. O mais admirável é que os roteiristas estão conseguindo fazer isso sem se esquecer do que torna estas personagens tão queridas para nós: a rivalidade que se estabeleceu entre elas desde a primeira cena de Raydor, lá na quinta temporada. Ao mesmo tempo, é perceptível certas mudanças tomadas ao abordarem a personagem de McDonnell, dando-lhe maior destaque (ela agora protagoniza suas próprias cenas) e até mesmo uma certa suavização – e o que poderia soar como maniqueísta, soa perfeitamente natural devido as situações que ela deve enfrentar.

Porém, julgando pelos dois episódios que eu vi, esta mudança parece trazer um ponto fraco: os casos não estão particularmente envolventes nesta temporada. Estão longe de serem ruins, mas da série sempre dá para esperar mais. Um exemplo disso é a resolução do caso da première, onde Brenda descobre o(a)(s) assassino(a)(s) através de uma letra de rap (o tipo de coisa preguiçosa que The Closer quase nunca faz). Ainda assim, desde que continuem o belo trabalho que estão tendo com este arco central, estes deslizes podem ser perdoados.

Wilfred

Uma das estréias mais hypadas da summer season é Wilfred. Infelizmente, o hype não cumpriu as expectativas. Não que a série seja ruim, pois não é, mas na melhor das hipóteses ela é moderadamente agradável. Não tem grandes erros, nem grandes acertos. Ela me entretem durante seus 20 minutos, mas quase nunca me faz rir. Gosto da dupla de atores (o Frodo mais do que o australiano), mas o bromance deles ainda não me conquistou. Enfim, Wilfred é uma série que só continuo acompanhando por: 1) não ter muitas séries passando atualmente; e 2) só ter 20 minutos por episódio e 13 episódios na temporada. Dificilmente voltarei para a segunda temporada se ela não melhorar logo, especialmente porque a serie já encontrou uma fórmula que, pelo visto, não pretende abandonar tão cedo (“Wilfred e Ryan em algum novo lugar e/ou com algum novo personagem por semana arrumando confusões”). Na verdade, não garanto nem que ficarei até o fim da primeira. Verei Wilfred até o momento em que ela me cansar.

Agora uma coisinha que me incomoda um pouco é: até que ponto vai essa “doença” de Ryan? No piloto, a gente sabe que ele possui algum tipo de depressão suicida. Só. Fica claro que Wilfred é um cachorro comum e que só Ryan o enxerga como “humano”, mas o que Wilfred faz é tudo imaginação de Ryan ou ele que faz imaginando ser Wilfred, pois sendo ele próprio, não teria coragem? Enfim, Wilfred seria o Tyler Durden de Ryan? Isso me deixou muito confuso no quinto episódio, Respect, quando vemos Wilfred roubando os remédios e se drogando, mas o quanto daquilo é real? Talvez tudo isso que eu falei seja punhetação mental e eu devesse apenas curtir as situações sem pensar nelas, mas não posso negar, me incomoda um pouco isso.

The Big C Cathy

Às vezes, tudo o que basta para uma série me pegar é sua protagonista. Por várias semanas, aguentei The Big C apenas pelo prazer de ver Laura Linney atuar, se divertir com tudo o que o texto pedia dela (o que não é muito, não para uma atriz como ela) e tirar leite de pedra de uma personagem teoricamente tão simples ao entregar tanta vitalidade e carisma às suas cenas. É algo absurdo o que essa mulher faz, chega a ser contagiante o prazer dela em estar em cena. E só com isso eu já me contentava. Mas em seus últimos episódios, a série demonstrou tamanho poder em me emocionar que eu me apaixonei pela trajetória de Cathy. Não posso mais largar a série nem se eu quiser.

Pois bem, The Big C voltou e a clara impressão que tenho é de uma série que só abre suas asas mesmo em seus últimos episódios. E como eu disse antes, por mim tudo bem. Eu amo assistir a “O Show de Laura Linney” e agora substituindo a grande Phyllis Sommerville, temos Cynthia Nixon, cuja química com Laura torna tudo ainda mais delicioso de se ver. Até mesmo os coadjuvantes homens, antes tão caricatos, estão mais legais (Oliver Platt brilhou no quarto episódio, provavelmente a primeira vez em que Paul soou humano da primeira a ultima cena). Comparando com os primeiros episódios do ano passado, The Big C melhorou incrivelmente. Ela não força mais no humor (ignoremos as piadas de peido na première), apenas se contenta em ser leve e agridoce, e é ótima quando puxa mais para o drama (e torço para que tragam de volta o Brian Cox, que tem potencial para muitos momentos tocantes ainda). É uma série bastante simples e sem ambição alguma, mas que consegue tornar isso a seu favor. E como eu disse, não adianta, eu não posso mais largá-la. Eu preciso de uma dose semanal de Laura Linney.

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